Manual de Guerra para Pastores

Manual de Guerra para Pastores

Àqueles que estão à frente do povo, que empunham a espada, que se colocam como sentinelas no muro:
escrevo-vos como quem sangra e ora, como quem intercede no escuro por aquilo que muitos vivem à luz.

Estamos vivendo dias onde a agenda está cheia, mas o altar está vazio.

Muitos querem estar em todos os lugares, mas nem se perguntam mais: “Foi Deus quem mandou eu ir?”

A mobilização humana tomou o lugar da direção espiritual. A exposição virou moeda, e a intimidade virou opção.

Jesus fazia milagres, mas depois sumia. Ia para os montes, para o secreto, para o Pai. Ele fugia da fama, se escondia da multidão.

Ele sabia que a força do ministério público vinha da comunhão privada.

Hoje é o contrário: se busca holofote e se negligencia o lugar da presença.

A exposição desnecessária atrai espíritos bajuladores. E onde há bajulação, há perigo de inflar o ego.

O ego inflamado se torna altar profanado. E quando o altar é profanado, o fogo do Espírito se apaga.

Estamos vendo ministros com a agenda cheia e o coração seco, pois trocaram a voz do céu pelo aplauso da terra.

Vejo também armadilhas sutis: convites mascarados, amizades de conveniência, churrascos que viram laços.

Gente que espera o seu momento mais humano, mais descontraído, pra filmar sem contexto e expor com malícia.

O inimigo é astuto. Ele não ataca só com escândalo — ele ataca com laços de alma, com alianças que matam o fogo.

Muita exposição cria muita amizade. E amizade demais sem aliança do Espírito gera troca de favores.

E quando chega a hora de pregar a verdade, a mente trava. Começa o conflito: pregar o que Deus mandou, ou manter a amizade? Essa guerra silenciosa tem feito muitos calarem a trombeta.

O altar vira palco, o confronto vira motivação, e o arrependimento vira ofensa.

Por isso digo: sirva e saia de cena. Faça o que o Senhor mandou e volte pro secreto. Não se alimente do aplauso. Vá para a presença.

Lá, Deus afia a espada, limpa o coração, e aumenta a unção. Você não precisa estar em todo lugar — só onde o Senhor te enviar.

Sobre finanças: não venda o que Deus te deu de graça. Não negocie a unção. Peça a Deus que envie o sustento, e Ele levantará quem oferte no secreto.

Quem oferta para aparecer já recebeu sua recompensa. Mas aquele que entrega no altar oculto será honrado pelo Pai que vê em secreto.

Esse é o chamado: altar limpo, agenda leve, coração rasgado, e espada afiada.

Que o Senhor nos encontre no campo, mas com os pés lavados pela humildade e os olhos cheios de lágrimas da presença.

Que sejamos vozes, não figuras. Guerras se vencem com obediência, não com influência.

Fiquem firmes. Guardem o fogo. Não se vendam.

E quando terminarem de servir, saiam de cena — e entrem de novo no secreto.
É lá que a glória habita.

Com temor e zelo,
“Uma voz anônima — escrita com temor, não com tinta.”

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